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Diabetes deve crescer 65% em 20 anos na América Latina

Urbanização, crescimento econômico e aumento dos índices de obesidade são fatores que formam o ambiente ideal para o crescimento do diabetes. Não à toa, a Fundação Mundial de Diabetes (World Diabetes Foundation – WDF) escolheu um país da América Latina para sediar, pela primeira vez, uma conferência de grandes proporções na região para discutir políticas públicas para prevenção e tratamento da doença.

Estima-se que 285 milhões de pessoas sofram de diabetes em todo o mundo, o que deve aumentar para 438 milhões em 20 anos. Na América Latina, o número estimado em 18 milhões deve aumentar 65%, chegando a quase 30 milhões de casos, conforme dados apresentados no Diabetes Summit for Latin America, que teve início nesta quarta-feira (30) em Salvador. No Brasil, que junto com o México está entre os dez países com maior incidência do mundo, a prevalência hoje é de 6,4% da população.

“As pessoas estão cada vez menos ativas, passam cada vez mais tempo no computador e na TV, portanto gastam menos calorias. Em paralelo, o consumo calórico só aumenta, à medida que a alimentação saudável fica mais cara e os itens ricos em gordura e açúcar, cada vez mais baratos”, diz Pierre Lefébvre, presidente do conselho de administração da WDF.

Lefébvre admite que o páreo é duro: “Somos uma voz pequena em comparação com o peso da indústria de alimentos, de computadores e de entretenimento, mas é preciso agir”, acredita. Para ele, o aumento da publicidade contra o tabaco, estimulado por ações governamentais como a restrição ao fumo em locais públicos, traz esperanças de que é possível conseguir avanços.

Diabetes e infecções

Uma das preocupações das autoridades em relação ao diabetes é que a doença abre caminho para uma série de outras enfermidades, especialmente as infecciosas. “O risco de ter tuberculose aumenta até três vezes entre diabéticos”, diz Anil Kapur, médico e diretor da WDF. Segundo ele, muitos pacientes não sabem que têm diabetes até receber o diagnóstico de tuberculose.

Kapur lembra ainda que os profissionais de saúde muitas vezes estão mais preparados para alertar os pacientes sobre o HIV, do que sobre o diabetes. E, inclusive, mais recursos são destinados para a prevenção do HIV, de acordo com o diretor da WDF. “Todo mundo conhece alguém que sofre de diabetes, mas é mais difícil conhecer alguém com Aids”, compara.

Os custos com a doença justificam a necessidade de prevenção: no Brasil, estima-se que os gastos diretos e indiretos totalizem US$ 23 milhões por ano. Para se ter uma idéia do quão mais barato seria investir em programas de prevenção, Kapur cita o exemplo dos cuidados que o diabético deve ter com os pés, para evitar feridas e infecções. São US$ 3 para educar o paciente, contra US$ 550 gastos em uma amputação e outros US$ 650 em uma prótese.


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“Geração N”: estamos criando jovens incapazes?

Autor norte-americano critica exagero dos pais em relação ao estímulo positivo dos filhos. O resultado? Uma geração de narcisistas

Clarissa Passos, iG São Paulo | 30/06/2010 09:32


Foto: Getty Images

Geração N: jovens que acham que não precisam se esforçar para nada

Rob Asghar, ensaísta e articulista norte-americano, aponta em um artigo recente noHuffington Post o surgimento do que ele chama de “geração N”, formada por jovens narcisistas. Para ele, os pais norte-americanos, atormentados pela culpa por trabalhar muito ou por optar pelo divórcio, estão criando filhos sem limite algum. Inseguros, eles temem que o filho não goste deles, cedem a qualquer pedido das crianças e celebram toda e qualquer “conquista” do filho - até uma formatura de pré-escola.

O resultado é uma geração que se sente no direito de tudo, sem precisar trabalhar duro por nada. Rob cita uma pesquisa desenvolvida em conjunto pela San Diego State University e pela University of South Alabama, que concluiu que o narcisismo dos jovens norte-americanos cresceu nos últimos 15 anos - e que os Estados Unidos podem passar por problemas sociais quando estes jovens chegarem à idade adulta e assumirem cargos de poder.

O estudo, que envolveu dezenas de milhares de jovens universitários, detectou traços de “auto-respeito exagerado” e de um “infundado senso de merecimento”. Alguns pesquisadores chegaram a afirmar que a crise econômica mundial recente, desengatilhada por decisões de alto risco, já seja um resultado do narcisismo da geração.

Para Maria Irene Maluf, especialista em Psicopedagogia e em Educação Especial, esse cenário é comum aqui no Brasil também. Os pais que temem perder o amor dos filhos representam uma inversão absoluta de papéis. “Na minha época - eu tenho 57 anos e minha filha, 32 - eram os filhos que temiam perder o amor dos pais”, contrapõe. Hoje, este temor influencia até na transmissão de valores.

Oprimidos pela culpa ou afundados no próprio narcisismo, os pais temem colocar limites em seus filhos e criam crianças que serão eternamente dependentes deles. Sem parâmetros claros, as crianças crescem sem valores: não sabem respeitar os pais, pois nunca ouviram uma repreensão simples como “enquanto uma pessoa fala, a outra escuta”. Se alimentam mal e só comem quando querem, pois jamais os pais foram firmes e exigiram que ela se sentasse à mesa durante uma refeição. “Limite é a ética em ação”, explica Maria Irene. “Pais e mães narcísicos criam fracos”, resume.

Idade da influência

O psicólogo Caio Feijó, autor de “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” (editora Novo Século), ressalta a importância do papel de pais e mães nas expectativas e na autoimagem da criança - e alerta que esse poder é limitado pelo tempo. “Os pais só têm uma influência grande sobre os filhos até antes da puberdade, por volta dos 10 ou 11 anos. Depois disso, vem o resultado”, diz.

“Dependendo de como os pais conduzem essa influência, eles criarão expectativas nos filhos sobre o que eles podem ou não alcançar”, continua. E o estímulo em excesso pode prejudicar tanto quanto chamar seu filho de “burro” ou de “inútil”, especialmente quando este estímulo indica uma projeção - por exemplo, aquele pai que é dentista e sempre comenta que o filho “vai ser um dentista genial, igual ao papai”, ou aquela mãe que sempre quis ser bailarina, mas não pôde estudar quando pequena, então matricula a filha em aulas diárias da dança, ainda que a menina não mostre o menor talento ou interesse pelas sapatilhas. “A superproteção traz consequências tão graves quanto o abandono”, finaliza.

Características da ”Geração N”: 

- Não têm noção de limite
- Acham que são merecedores de tudo
- Não sabem se esforçar para conseguir algo
- Não sabem como agir em situações adversas
- São criados por pais narcisistas, que competem entre si
- Não respeitam os outros


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A SÍNDROME DO FOFÃO


HOJE ELAS SÃO FOFAS. 
E AMANHÃ? 
 

 

SERÃO PROVAVELMENTE OBESAS!







Saiu uma matéria muito importante na Revista Veja deste final de semana, sobre Obesidade Infantil. Eu como mestre em obesidade e síndrome metabólica não pude deixar de escrever sobre este assunto.Crianças são seres adoráveis, com bolechas redondinhas e bracinhos roliços. São fofas. Mas do ponto de vista do nutricionista e do médico, estas crianças fofas apresentam excesso de peso, a saúde está em riso (juntamente com o excesso de peso, aparecem a hipertensão, diabetes, colesterol alto, derrames e ainda o câncer) e elas apresentam alta probabilidade de se tornar um adulto eternamente com problemas de controlar a balança.

 
As pesquisas mostram que aos 10 anos de idade, crianças acima do peso, têm 80% de chances de se tornar um adulto obesos. No Brasil nos temos uma prevalência de 22% de obesidade, já ultrapassa os EUA e 6% de obesidade infantil.Pesquisadores descobriram que o excesso de gorduras e açúcares consumidos durante a fase de desenvolvimento, inibe a ação das proteínas, que controlam o apetite e a saciedade e também podem apresentar um desequilíbrio e ao longo da vida esta criança tenha dificuldade de emagrecer e facilidade em engordar.

Então de você está vendo que seu filho está acima do peso, busque uma ajuda profissional, porque aquela idéia de “quando ele crescer, ele emagrece” está equivocada.Segue algumas dicas:
1) Imponha limites, as regras também são importantes no momento da refeição. Nenhum alimento deve ser proibido, mas um limite precisa ser imposto. Quanto menor a criança, maior a responsabilidade de quem cuida, de quem prepara, oferece e faz as compras da casa.
2) Que tal refletir sobre o conteúdo dos carrinhos de supermercados?
3) Crianças tendem a rejeitar alimentos novos, mas insista várias vezes, pode colocar este alimento em pratos e preparações diferentes.
4) Mude os hábitos alimentares de toda a família. Os pais têm que servir de exemplo para os filhos. O ideal é sempre comprar alimentos saudáveis para o consumo de todos os membros da família, como frutas, legumes, pães, biscoitos sem recheio, leite e derivados, em vez de salgadinhos, balas e alimentos com pouco teor de fibras, alto teor de gordura e alto valor calórico.
5) Planeje e organize os horários das refeições – café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. Todos devem estar presentes e a refeição não pode ser feita em frente à televisão. É recomendado fazer seis refeições por dia;
6) Deixe a criança ajudar a preparar os alimentos. Faça com que o ato de cozinhar seja divertido e interessante;
7) Procure mudar as formas de preparar os alimentos, tornando a aparência mais atraente. Seja criativo durante as preparações. Uma maneira muito eficaz de estimular a criança a jantar e almoçar é fazer um prato com formas divertidas, misturando as cores dos alimentos, fazendo, por exemplo, o rostinho de um boneco com o arroz, o cabelinho com a couve, o olhinho com a cenoura, o narizinho com a beterraba. O feijão pode ser a boquinha e o bife, a orelhinha. Assim, a criança se diverte e come tudo;
8) Não dê dinheiro todos os dias para que a criança compre merenda na escola. Estimule o filho a levar o lanche de casa, pelo menos três vezes na semana;
9) Programe atividade física para toda a família. Se você não puder fazer isso, matricule seu filho em atividades das quais ele seja interessado. Mesmo em casa, incentive a criança a se movimentar. A atividade física é um fator super importante para o controle da obesidade. 


A alimentação saudável é importante em todas as idades, pois previne doenças e promove a qualidade de vida. Lembre-se: nunca é tarde para mudar, principalmente quando a mudança envolve o seu bem-estar e da família. Para melhores informações, consulte o nutricionista.  Aja antes que os filhos completem 10 anos. Depois é quase impossível vencer a obesidade.

TESTE Seu filho está obeso?
1) Observe a criança junto a colegas da mesma idade. Fisicamente, ela está acima do peso?
2) Ela se cansa muito rápido ao praticar atividade física?
3) As peças de roupas que deveriam servir para idade dela constumam ficar apertadas?
4) Ela é hostilizadas por colegas, com apelidos, aponto de não querer ir para escola?
5) Ela demonstra introversão excessiva na relação com outras crianças?
Três ou mais respostas positivas indicam que é hora de procurar ajuda!


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A saúde dos brasileiros piorou

18/06/2010 18:29
 
Uma pesquisa em 27 capitais revela um quadro de obesidade, sedentarismo, má alimentação e abuso de álcool. Você está nessa estatística?Cristiane Segatto e Marcela Buscato  Reprodução
Revista Época

Nos últimos quatro anos, a renda média do brasileiro cresceu, mas o dinheiro extra não trouxe mais saúde. O Brasil está mais gordo e sedentário. Abusa mais de álcool. Come menos feijão, frutas e hortaliças. Está mais sujeito à hipertensão e ao diabetes. Esse é o retrato de uma pesquisa anual feita pelo Ministério da Saúde desde 2006, com 54 mil moradores de todas as capitais. Nas próximas páginas, ÉPOCA publica com exclusividade os resultados colhidos em 2009.

O levantamento Vigitel capta o estilo de vida da população por meio de extensas entrevistas feitas por telefone. Não traduz o que acontece em todos os cantos do país, mas dá uma boa ideia do comportamento de quem vive nas capitais e tem renda suficiente para ter em casa uma linha telefônica fixa. O trabalho é baseado na metodologia adotada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos. É uma das mais importantes ferramentas dos governos para monitorar fatores de risco de doenças crônicas e orientar os gastos com medicamentos. O Vigitel ajuda a prever as bombas que vão estourar nos hospitais nos próximos anos, consumindo vidas e comprometendo o orçamento do sistema de saúde. Pelo que a pesquisa vem mostrando nos últimos anos, o Estado brasileiro pode se preparar para o pior. Em várias áreas.

“Os dados mais alarmantes são os índices de sobrepeso e obesidade”, diz Deborah Carvalho Malta, coordenadora de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde. Entre os entrevistados do sexo masculino, 51% têm excesso de peso (em 2006, eram 47%). Nas mulheres, o índice é de 42% (em 2006, era de 38%). O Brasil está caminhando rapidamente para a situação de países como os Estados Unidos, onde 60% da população tem sobrepeso. “Não acredito que vamos derrubar esses índices. Se conseguirmos estabilizá-los, já será uma vitória”, diz Deborah. Entre as mulheres, ficou claro que o excesso de peso é mais comum entre as mais pobres. No estrato de menor escolaridade (zero a oito anos de estudo), 50% das mulheres têm sobrepeso. Na faixa mais culta (12 anos de estudo ou mais), o índice é de 31%. No sexo masculino, a situação é diferente: a barriga independe da escolaridade.

Foto: Shutterstock

Nas últimas três décadas, o Brasil viveu uma complicada transição nutricional. Saiu da desnutrição para o sobrepeso (um pouco acima do normal) e a obesidade (bastante acima do normal). Quando uma criança sofre de desnutrição ainda no útero da mãe ou nos primeiros anos de vida, é bastante provável que se torne obesa no futuro – pois seu organismo se programou para viver com pouco. Quando essa pessoa tem mais alimento à disposição, ele vira excesso.

Além disso, o aumento do peso da população também pode ser explicado pela expansão do acesso a alimentos baratos, engordativos e de baixo valor nutricional, como biscoitos, salgadinhos e fast-food. Com R$ 2 é possível comprar legumes e fazer uma boa sopa ou salada – desde que a pessoa tenha interesse e tempo para cozinhar. Um bom termômetro do tempo que as pessoas passam cozinhando em casa é o consumo regular de feijão. Como o preparo é trabalhoso, baixo consumo de feijão é um indicador de maior consumo de fast-food. O brasileiro está comendo menos feijão (o consumo caiu de 71% em ambos os sexos em 2006 para 65% em 2009), um alimento rico em proteínas vegetais, ferro e outros nutrientes.

Entre as doenças provocadas pelos maus hábitos alimentares ou pela falta de exercícios, duas merecem especial atenção: hipertensão e diabetes. Entre os entrevistados, 24% disseram ter recebido diagnóstico de hipertensão (em 2006, eram 21%). O diabetes foi mencionado por 5,8% dos entrevistados (em 2006, eram 5,2%). Mas é difícil saber se essas doenças estão realmente se tornando mais frequentes ou se a população está tendo mais acesso ao diagnóstico.

Para a maioria dos brasileiros, a saúde deveria ser 
a prioridade número um do próximo presidente

Assustadora também é a porcentagem de pessoas que abusam de álcool. O governo considera abuso o consumo de mais de cinco doses num único dia em homens e quatro doses em mulheres. No sexo masculino, o consumo de álcool cresceu de 25,5% em 2006 para 28,8% em 2009. É bem mais do que os homens argentinos consomem (14,6%). “A nossa cultura é muito permissiva em relação ao álcool. Ele está sempre associado à celebração e ao lazer. Precisamos educar os brasileiros para mudar essa cultura”, diz Deborah Malta.

Os brasileiros cuidam mal do próprio corpo, mas acham que a atenção do país à saúde precisa melhorar. Essa contradição foi captada pela pesquisa encomendada pelo Movimento Todos Pela Educação ao Instituto Ibope, divulgada há 15 dias. Para 63% dos entrevistados, a prioridade número um do governo deveria ser a saúde. As pessoas têm direito de reclamar do mau atendimento, mas talvez fossem mais úteis a si mesmas se, ao mesmo tempo, evitassem comportamentos que ajudam a adoecer. Nesse quesito, a pesquisa do Ministério da Saúde mostra que o povo brasileiro não está fazendo sua parte. O país cultiva maus hábitos. Viver os prazeres imediatos sem pensar nas consequências é um traço absolutamente humano – em especial, na juventude. E o Brasil ainda é um país jovem. Como convencer quem tem 30 anos e se sente invulnerável que terá de pagar no futuro o preço das escolhas erradas que faz hoje? “Para os jovens, é muito difícil se imaginar com uma doença que eles acham que é de velho, como hipertensão ou diabetes”, afirma o médico Nabil Ghorayeb, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo. Segundo ele, não é por falta de conhecimento que os jovens abusam na juventude. “Eles acham que vão ficar doentes só daqui a 30 anos e que até lá a medicina terá inventado uma solução”, diz. A solução não vem, e o jovem se transforma num velho que sofre e dá prejuízos à família e ao Estado.

Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA

O técnico de informática Daniel da Silva Freitas, de 30 anos, é o típico bom de garfo. Diz que come frutas, verduras e salada, mas não resiste a uma gordurosa e suculenta costela. Seu maior problema, porém, é o fast-food. Freitas come na praça de alimentação do shopping sete vezes por semana e sua dieta usual inclui hambúrgueres. Tem 1,73 metro e está pesando 103 quilos. “Eu era magro até uns 23 anos e sempre comi de tudo. Depois, comecei a engordar”, diz. Ele já tentou emagrecer na bicicleta e na esteira, mas desistiu da academia em menos de três meses. “Sei dos riscos de ser sedentário e comer mal. Eles passam pela minha cabeça, mas eu os espanto rápido”, diz. “A gente nunca acha que vai acontecer com a gente.”

Quando se trata da saúde, todos somos vítimas de nossas escolhas e da programação metabólica da infância, que produz repercussões ao longo da vida. “Em geral, crianças que praticam pouca ou nenhuma atividade física se tornam adultos com massa muscular atrofiada”, diz a cardiologista Jaqueline Scholz Issa, do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo. “Isso altera o metabolismo para a vida toda. É o que acontece com aquelas pessoas que engordam com facilidade mesmo sem comer muito.”

Como boa parte das doenças decorre dos hábitos, não existe receita mágica que as elimine. Freitas terá de viver no futuro com o resultado de suas escolhas diárias ao longo dos anos, como todos nós. A seguir, algumas medidas que podem fazer a diferença.

> COMA MAIS FRUTAS E VERDURAS
Uma dieta equilibrada faz mais do que prevenir o acúmulo de gordura em nossas artérias que leva à hipertensão, ao infarto e a acidentes vasculares. Comer frutas e verduras fornece micronutrientes, como vitaminas e minerais, necessários para o funcionamento de nosso organismo.
> EVITE ALIMENTOS COM ALTO TEOR DE GORDURA
Além de provocar doenças cardiovasculares, hepáticas e renais, a gordura está associada ao declínio do raciocínio e da memória. Na Dinamarca, os pesquisadores constataram que pessoas que comiam no mínimo 100 gramas de frutas, verduras, grãos e cogumelos por dia tinham um desempenho melhor em testes do que os voluntários que não consumiam alimentos naturais.
> MEXA-SE
Praticar pelo menos 30 minutos de atividade física na maior parte dos dias aumenta a qualidade e a expectativa de vida. Melhora o sistema imune e reduz o estresse. Além disso, previne as cardiopatias, a obesidade, a hipertensão e a osteoporose.
> SALVE SEU FILHO
A pesquisadora Raylene Reimer, da Universidade de Calgary, no Canadá, conseguiu estabelecer relação direta entre alimentação na infância e qualidade de vida na idade adulta em uma experiência com ratos em laboratório. A alimentação altamente proteica na infância aumenta a possibilidade de obesidade no futuro. A pesquisadora afirma que a dieta da primeira infância pode ter um impacto duradouro na ativação de genes que controlam o metabolismo.

Vida saudável também é uma questão de educação. O empresário Fernando Nabuco começou a fazer atividade física quando era criança. Foi incentivado pelo pai, o remador Fernando Nabuco de Abreu, que representou o Brasil nas Olimpíadas de 1932. Nabuco, o filho, nunca mais parou. Chegou aos 66 anos com saúde e aparência invejáveis. Quando conversou com a reportagem de ÉPOCA, ele se preparava para pedalar 100 quilômetros pelo interior de São Paulo no fim de semana. “Os meninos de 20 anos não conseguem me acompanhar”, diz Nabuco. A dica de Nabuco para quem quer se manter em forma ao longo da vida é adequar a atividade física à carreira e às limitações impostas pela idade. O importante é não parar. Na década de 1980, quando era da presidência da Bolsa de Valores de São Paulo, Nabuco participou três vezes do Ironman, no Havaí, uma das provas mais duras do esporte. Ele acordava às 4h30 da manhã para treinar, nadava na hora do almoço e, no fim do dia, ainda corria. A maioria não pode imitar esse estilo de vida, mas pode repetir os cuidados que Nabuco tem com a alimentação. Ele só come carne vermelha uma vez a cada 15 dias. E evita a gordura para poder se deliciar com algumas frituras. “Adoro batata frita”, diz. Bebidas alcoólicas, por exemplo, são permitidas apenas uma vez por semana.

Marisa CauduroAOS 66 ANOS 
Nabuco e a bicicleta com a qual percorre 100 quilômetros num único dia. Ele aprendeu a ser saudável na infância. “Não sei se vou viver mais. Mas vivo melhor”

Nabuco escolheu fazer o que está a seu alcance para viver mais e melhor. Enquanto essa atitude não for generalizada, os brasileiros continuarão sabotando a própria saúde – e essa atitude terá impacto sobre o sistema de saúde.Um estudo do Banco Mundial estima que, mantido o cenário atual, na próxima década o Brasil gastará US$ 34 bilhões só para remediar os problemas causados por hábitos inadequados, sem nenhum ganho em qualidade de vida.

Se a população não está fazendo sua parte, como está se saindo o governo? Falta investimento ou falta gestão na saúde brasileira? “Faltam as duas coisas”, diz o economista sênior André Medici, do Banco Mundial, em Washington, responsável por fazer as análises do setor de saúde na América Latina. Ele explica que o investimento brasileiro em saúde (a soma dos gastos públicos e privados) é de cerca de 8% do PIB. É pouco (leia a comparação com outros países no quadro abaixo) para dar conta dos desafios que o país enfrenta. Logo, é preciso investir mais. Mas, antes de tudo, é preciso investir melhor. “O gasto brasileiro por habitante é semelhante ao do Chile, mas a mortalidade infantil no Brasil é quase o dobro da chilena”, diz Medici. “Ou seja: o dinheiro que o Brasil tem hoje para gastar em saúde poderia ser mais bem utilizado.”

A saúde brasileira enfrenta três grandes problemas. O primeiro é conviver com doenças superadas pelos países ricos nos anos 60, como diarreia, tuberculose e hanseníase. O segundo é termos recursos comparáveis aos que as nações desenvolvidas gastavam nos anos 80, cerca de 8% do PIB. Mas a inflação na área da medicina aumentou tanto que hoje a França gasta 11% e os Estados Unidos 15%. O terceiro problema é a demanda pela medicina do século XXI, cujas drogas, tratamentos e exames sofisticados custam mais que o sistema de saúde brasileiro é capaz de pagar. Se o país continuar investindo 8% do PIB em saúde, isso será suficiente apenas para manter o padrão de atendimento à saúde de que dispomos hoje. Para melhorar a qualidade dos serviços e bancar novas tecnologias e drogas mais caras, será necessário gastar mais.

reprodução/Revista Época

“Em 2020, é provável que o Brasil esteja investindo 11% do PIB em saúde, mas precisa começar a trabalhar hoje para reduzir o desperdício de recursos”, diz o professor Marcos Bosi Ferraz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Do contrário, mesmo que aumente o investimento, o país vai jogar dinheiro no ralo.” A pressão social por melhores serviços e a tentação de consumo de novas drogas e tecnologias só vão aumentar. E o envelhecimento dos brasileiros vai complicar ainda mais a situação. Os idosos com mais de 70 anos serão 17% da população em 2050. Hoje não chegam a 5%.

A Constituição de 1988 criou o Sistema Único de Saúde (SUS), uma importante conquista da democracia brasileira. O Artigo nº 196, segundo o qual “a saúde é direito de todos e dever do Estado”, é um belo instrumento de inclusão social. Na prática, porém, nenhum governo conseguiu cumpri-lo integralmente. É por isso que todos os anos milhares de pacientes recorrem a ações judiciais para conseguir tratamentos não oferecidos pelo SUS. O atendimento universal e irrestrito previsto pelo SUS tornou-se uma utopia? “Alguém vai ter de assumir o ônus político de dizer que não é possível oferecer tudo a todos”, diz Ferraz. “Essa é uma visão romântica. Nenhum país dá tudo a todos.”

Os especialistas dizem que o Brasil precisa definir prioridades claras de saúde em vez de conviver com a ilusão de que o Estado está cuidando de tudo. Os candidatos à Presidência – Dilma Rouseff, José Serra e Marina Silva – ainda não apresentaram propostas para a saúde. “Não creio que haverá diferenças importantes nos programas de saúde dos três candidatos”, diz Medici. “Todos eles defendem a continuidade do SUS e a intensificação do Programa de Saúde da Família, por exemplo.” Dilma, Serra e Marina já disseram que vão, finalmente, regulamentar a Emenda Constitucional nº 29. Aprovada em 2000, ela determina que os Estados devem destinar à saúde no mínimo 12% de seus orçamentos. No caso dos municípios, o índice é de 15%. Como até hoje a emenda não foi regulamentada, muitos governos deixam de investir o suficiente. Ou computam outros tipos de gasto (como com saneamento básico e coleta de lixo) na conta da saúde.

A Emenda nº 29 é uma das questões que estão na pauta da segunda edição de ÉPOCA Debate 2010, uma série de discussões sobre temas da agenda nacional que deverão ser enfrentados pelo próximo presidente da República. O ÉPOCA Debate Saúde, um evento aberto à participação de leitores, ocorrerá no dia 22 de junho na sede da Editora Globo, em São Paulo. Os convidados são o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata, Marcos Bosi Ferraz, coordenador do Centro Paulista de Economia da Saúde da Unifesp, e Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atual superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês. Eles vão debater as prioridades que o próximo presidente da República deveria adotar para melhorar a saúde no Brasil. Para lançar o debate, ÉPOCA ouviu as propostas que circulam entre os especialistas em saúde no país. A seguir, um resumo das principais ideias.


> ORGANIZAR E FORTALECER A REDE BÁSICA DE SAÚDE
Cerca de 90% dos problemas de saúde que a população enfrenta podem ser resolvidos na rede básica. São males corriqueiros que podem ser tratados pelo médico de família ou nos postos de saúde. No Brasil, a rede básica é frágil. É por isso que, quando adoece, o brasileiro corre para o hospital. “A rede básica não funciona, e o problema é empurrado para o nível de cima (o dos hospitais), que tem custos muito mais elevados”, diz Wladimir Taborda, assessor médico da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. A fragilidade da rede básica fica evidente quando ocorre uma epidemia (como a de dengue no Rio de Janeiro em 2008). Os hospitais não dão conta da demanda extra e o atendimento das doenças mais graves fica prejudicado.
> REDUZIR INIQUIDADES
Cerca de 45 milhões de pessoas têm planos de saúde no Brasil. Em geral, elas usam o plano apenas para consultas e internações de custo baixo ou moderado. Quando precisam de um serviço caro e de alta complexidade (transplantes ou drogas caríssimas contra o câncer), elas recorrem ao SUS. “Os beneficiários dos planos de saúde têm todo o direito de usar o serviço público, mas é preciso deixar claro que, ao fazer isso, eles estão subsidiando os planos de saúde”, diz Medici. Como o orçamento público é limitado e os custos da medicina de ponta só crescem, o governo destina cada vez mais dinheiro para atender a classe média que tem plano de saúde. Em 2003, os gastos per capita do SUS no Nordeste (a região mais pobre do país) eram de R$ 168 por ano. No Sudeste (a região mais rica) eram de R$ 250. “A dependência do SUS no Nordeste é pelo menos o dobro da verificada no Sudeste. Quem mais precisa, menos recursos recebe”, diz Medici. Para reduzir a injustiça, é preciso garantir melhor distribuição regional dos recursos públicos.
Nos últimos 20 anos, o Brasil teve 17 ministros da Saúde. 
Cada um ficou, em média, 15 meses no cargo. É pouco

> CRIAR A CULTURA DA PREVENÇÃO E DA EDUCAÇÃO
Não existe melhor investimento que evitar que as pessoas adoeçam. Por isso é preciso ampliar a cultura da prevenção com programas de educação nas escolas e de campanhas de conscientização dos adultos.
> DEFINIR QUE SISTEMA DE SAÚDE QUEREMOS 
Discutir com a sociedade se o SUS é o melhor caminho, a partir da experiência de outros países. No Canadá, as províncias (equivalentes aos Estados brasileiros) oferecem um pacote de serviços básicos a toda a população. A rede particular é proibida de prestar os mesmos serviços que a rede pública.
Em 2050, os idosos acima de 70 anos serão 17% 
da população. Os custos da saúde vão aumentar

Fotos: Filpe Redondo/ÉPOCA> GARANTIR QUE OS GESTORES DA SAÚDE SEJAM TÉCNICOS
O cargo de ministro da Saúde e outros postos-chave na gestão dos recursos destinados à área devem ser técnicos – e não políticos. Os gestores precisam ter tempo e liberdade para traçar metas de longo prazo. A frequente alternância de ministros no cargo, ao sabor dos acordos políticos, é ruim para o país. Nos últimos 20 anos, o Brasil teve 17 ministros da Saúde.Em duas décadas, a Suíça teve apenas três ministros da Saúde.
Nos últimos 20 anos, o Brasil teve 17 ministros da Saúde. 
Cada um ficou, em média, 15 meses no cargo. É pouco

> MELHORAR A GESTÃO
Toda instituição pública de saúde deveria ser obrigada a manter um contrato de gestão com orçamento e metas bem estabelecidos. Um dos caminhos é a ampliação das parcerias público-privadas. Quando era governador de São Paulo, Mário Covas lançou as organizações sociais de saúde (OSS). Nesse modelo, inspirado na Espanha, o Estado delega a uma entidade privada, sem fins lucrativos, o gerenciamento de hospitais públicos e garante recursos mensais para manutenção, exercendo controle rígido sobre a gestão dos gastos e serviços prestados. Hoje, as OSS são consideradas uma experiência de sucesso pela maioria dos especialistas. Mas, quando a ideia foi lançada, o PT e o PDT entraram com uma ação de inconstitucionalidade no STF. Se o Supremo julgar que as OSS são inconstitucionais, calcula-se que o Brasil teria de contratar cerca de 100 mil funcionários públicos para manter funcionando os hospitais já existentes no modelo das OSS. 

Uma dessas OSS funciona na maior favela paulistana, onde vivem 100 mil habitantes. É o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Heliópolis. Criado pelo governo estadual, o ambulatório é gerido pelo Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci), uma entidade filantrópica sem fins lucrativos. O AME funciona como um hospital dia, não como um pronto-socorro. O atendimento é agendado previamente. Os pacientes são encaminhados pelos postos de saúde ou pelos hospitais. No AME têm acesso a todos os exames (inclusive ressonância magnética) e cirurgias de pequeno porte (como operações de hérnia, catarata e varizes). Encontrar solução para problemas como esses é uma das maiores dificuldades de quem depende do SUS. A faxineira Ana Paula Ladislau dos Santos, de 39 anos, sabe disso. Ela passou cinco anos tentando conseguir uma cirurgia de amígdala para a filha Talita, de 6 anos. Tentou vários hospitais em Mongaguá e na capital. Quando finalmente foi encaminhada ao AME, a cirurgia foi agendada em duas semanas. “Nos hospitais que conheço tratam a gente feito cachorro. Aqui dizem bom-dia. Até a enfermeira veio me consolar quando percebeu que eu saí para chorar porque estava preocupada com a minha filha”, diz. O AME é um serviço público que funciona segundo os padrões de exigência do mercado privado. Quem sustenta o SUS com os impostos que paga não está preocupado em saber se os hospitais são administrados pelo Estado ou não. Quer que o dinheiro seja bem gasto, vire serviço de qualidade e produza um bom atendimento de saúde. Como aquele que Ana Paula e sua filha receberam.
reprodução/Revista Época


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Notes

Relatório aponta para uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil

Das amostras coletadas 29% apresentaram algum tipo de irregularidade 


*Por Envolverde originalmente publicado pela Anvisa 

Brasília (DF) - Agrotóxicos que apresentam alto risco para a saúde da população são utilizados, no Brasil, sem levar em consideração a existência ou não de autorização do Governo Federal para o uso em determinado alimento. É o que apontam os novos dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nesta quarta-feira (23), em Brasília (DF). 

Em 15 das vinte culturas analisadas foram encontrados ingredientes ativos em processo de reavaliação toxicológica junto à Anvisa, devido aos efeitos negativos desses agrotóxicos para a saúde humana. “Encontramos agrotóxicos, que estamos reavaliando, em culturas para os quais não estão autorizados, o que aumenta o risco tanto para a saúde dos trabalhadores rurais como dos consumidores”, afirma o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano. 

Nesta situação, chama a atenção a grande quantidade de amostras de pepino e pimentão contaminadas com endossulfan, de cebola e cenoura contaminados com acefato e pimentão, tomate, alface e cebola contaminados com metamidofós. Além de serem proibidas em vários países do mundo, essas três substâncias já começaram a ser reavaliadas pela Anvisa e tiveram indicação de banimento do Brasil. 

De acordo com o diretor da Anvisa, “são ingredientes ativos com elevado grau de toxicidade aguda comprovada e que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer”. “Apesar de serem proibidos em vários locais do mundo, como União Européia e Estados Unidos, há pressões do setor agrícola para manter esses três produtos no Brasil, mesmo após serem retirados de forma voluntária em outros países”, pondera Barbano. 

A Anvisa realiza a reavaliação toxicológica de ingredientes ativos de agrotóxicos sempre que existe algum alerta nacional ou internacional sobre o perigo dessas substâncias para a saúde humana. Em 2008, a Agência colocou em reavaliação 14 ingredientes ativos de agrotóxicos, dentre eles o endossulfan, o acefato e o metamidofós. 

Juntos, esses 14 ingredientes representam 1,4 % das 431 moléculas autorizadas para serem utilizadas como agrotóxicos no Brasil. Entretanto, uma séria de decisões judiciais, também em 2008, impediram, por quase um ano, a Anvisa de realizar a reavaliação desses ingredientes. 

De lá pra cá, a Agência consegui concluir a reavaliação de apenas uma molécula: a cihexatina. O resultado da reavaliação prevê que essa substância seja retirada do mercado brasileiro até 2011. “Todos os citricultores que exportam suco de laranja já não utilizam mais a cihexatina, pois nenhum país importador, como Canadá, Estados Unidos, Japão e União Européia, aceita resíduos dessa substância nos alimentos”, diz o gerente de toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meirelles. 

Para outras cinco substâncias, a Anvisa já publicou as Consulta Públicas e está na fase final da reavaliação. Nesses casos, houve quatro recomendações de banimento (acefato, metamidofós, endossulfan e triclorfom) e uma indicação de permanência do produto com severas restrições nas indicações de uso (fosmete). 

Para conferir a evolução das importações de agrotóxicos no país acesse aqui

Balanço 

Outra irregularidade apontada pela PARA foi a presença, em 2,7% das amostras dos alimentos coletadas, de resíduos de agrotóxicos acima dos permitidos. “Esses resíduos evidenciam a utilização de agrotóxicos em desacordo com as informações presentes no rótulo e bula do produto, ou seja, indicação do número de aplicações, quantidade de ingrediente ativo por hectare e intervalo de segurança”, explica Meirelles. 

Tiveram amostras, ainda, que apresentaram as duas irregularidades: resíduos de agrotóxicos acima do permitido e ingredientes ativos não autorizados para aquela cultura. No balanço geral, das 3.130 amostras coletadas, 29% apresentaram algum tipo de irregularidade. 

Os casos mais problemáticos foram os do pimentão (80% das amostras insatisfatórias), uva (56,4% das amostras insatisfatórias), pepino (54,8% das amostras insatisfatórias), e morango (50,8% das amostras insatisfatórias). Já a cultura que apresentou melhor resultado foi a da batata com irregularidades em apenas 1,2% das amostras analisadas. 

Cuidados 

Para reduzir o consumo de agrotóxico em alimentos, o consumidor deve optar por produtos com origem identificada. Essa identificação aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com adoção de boas práticas agrícolas. 

É importante, ainda, que a população escolha alimentos da época ou produzidos por métodos de produção integrada (que a princípio recebem carga menor de agrotóxicos). Alimentos orgânicos também são uma boa opção, pois não utilizam produtos químicos para serem produzidos. 

Os procedimentos de lavagem e retirada de cascas e folhas externas de verduras ajudam na redução dos resíduos de agrotóxicos presentes apenas nas superfícies dos alimentos. “Os supermercados também tem um papel fundamental nesse processo, no sentido de rastrear, identificar e só comprar produtos de fornecedores que efetivamente adotem boas práticas agrícolas na produção de alimentos”, afirma o gerente da Anvisa. 

PARA 

O objetivo do PARA, criado em 2001, é garantir a segurança alimentar do trabalhador brasileiro e a saúde do trabalhador rural. Em 2009, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos da Anvisa monitorou 20 culturas em 26 estados do Brasil. Apenas Alagoas não participou do PARA em 2009.

O Programa funciona a partir de amostras coletadas pelas vigilâncias sanitárias dos estados e municípios em supermercados. No último ano, as amostras foram enviadas para análise aos seguintes laboratórios: Instituto Octávio Magalhães (IOM/FUNED/MG), Laboratório Central do Paraná (LACEN/PR) e para um laboratório contratado, nos quais foram investigadas até 234 diferentes agrotóxicos em cada uma das amostras. 

Apesar das coletas realizadas pelo Programa não serem de caráter fiscal, o PARA tem contribuído para que os supermercados qualifiquem seus fornecedores e para os produtores rurais adotem integralmente as Boas Práticas Agrícolas. Prova disso, foi a criação do Grupo de Trabalho de Educação e Saúde sobre Agrotóxicos (GESA). 

Integrado por diferentes órgãos e entidades, o Grupo tem como objetivo elaborar propostas e ações educativas para reduzir os impactos do uso de agrotóxicos na saúde da população, implementar ações e estratégias para incentivar os sistemas de produção integrada e orgânicos e, no caso dos cultivos convencionais, orientar o uso racional de agrotóxicos. “Além de orientar, é preciso que o Estado fiscalize de forma efetiva o uso desses produtos no campo e coíba o uso indiscriminado e, até mesmo ilegal, de alguns agrotóxicos”, comenta Meirelles. 

Os estados também têm realizado diversas ações com o objetivo de ampliar o número de amostras rastreadas até o produtor. Das amostras coletadas em 2009, 842 (26,9%) foram rastreadas até o produtor/associação de produtores, 163 (5,2%) até o embalador e 2032 (64,9%) até o distribuidor. Somente 93 (3%) amostras não tiveram qualquer rastreabilidade. 

Clique aqui para ver o relatório na integra 


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Alimentação ruim e pouco exercício físico

07/04/2010 12:51
 Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde mostra quadro preocupante no padrão alimentar do brasileiro. E mais: menos de 15% praticam exercícios físicos regularmente
Redação Época, com Agência Brasil

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (7) pelo Ministério da Saúde alerta para o aumento do consumo de alimentos com alto teor de gordura e de açúcar entre os brasileiros. Em 2009, 33% população com mais de 18 anos comeu carnes com excesso de gordura. Refrigerantes e sucos artificiais também tiveram destaque na dieta dos brasileiros – 76% dos adultos beberam esses produtos pelo menos uma vez por semana e 27,9%, cinco vezes por semana ou mais. Leite com alto teor de gordura chegou a ser consumido cinco vezes por semana por 58,4% dos brasileiros, um aumento de quase 2 pontos percentuais em três anos.

O levantamento indica também que os brasileiros estão consumindo mais frutas e hortaliças. Em 2009, 30,4% da população adulta optou por esses alimentos cinco ou mais vezes por semana. Entretanto, apenas 18,9% consumiram as cinco porções diárias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Já o consumo do feijão apresentou queda: em 2009, esteve presente na mesa de 65,8% da população, contra 71,9% em 2006.

Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, os dados são preocupantes e mostram uma mudança no padrão alimentar do brasileiro. “Vivemos uma transição demográfica importantíssima e também uma transição alimentar bastante negativa”, disse. Temporão destacou que o feijão é fonte de proteína e fibras e lembrou que consumir as versões diet e light dos refrigerantes nem sempre é a melhor saída, por causa do alto teor de sódio. 

Para piorar o quadro, apenas 14,7% dos brasileiros praticam atividades físicas com a regularidade recomendada pela OMS, durante 30 minutos diários, cinco vezes por semana. O estudo também mostra que chega a 16,4% o índice de sedentarismo no país – percentual de pessoas que não fazem nenhuma física, nem mesmo durante o deslocamento para o trabalho ou na limpeza da casa. 

Nos períodos de descanso, os dados indicam que é a televisão o que mais distrai o brasileiro – 25,8% dos adultos passam pelo menos três horas em frente à TV durante cinco dias da semana ou mais. “É um lazer sedentário”, avaliou a coordenadora-geral de Doenças a Agravos Não Transmissíveis do ministério, Deborah Malta. Para Malta, os níveis representam um alerta, sobretudo se for considerado o baixo consumo de frutas e hortaliças e a elevada ingestão de carnes gordurosas e refrigerantes.


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Ministro da Saúde recomenda sexo no combate à hipertensão

26/04/2010 17:19
 Pesquisa mostra que o número de hipertensos no país cresceu nos últimos três anos, especialmente entre os idosos
Redação Época com Agência Brasil

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, recomendou que as pessoas façam sexo como método de combate a doenças crônicas. A recomendação foi feita na cerimônia de lançamento da campanha nacional de prevenção à hipertensão arterial nesta segunda-feira (26). “Dancem, façam sexo, mantenham o peso, façam atividades físicas e, principalmente, meçam a pressão arterial”, afirmou Temporão na entrevista coletiva. 

O Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que mostra o avanço da hipertensão no país: 24,4% da população sofre com a doença. Os dados mostram que a prevalência da doença aumentou em todas as faixas etárias, especialmente entre os idosos. Atualmente, 63,2% das pessoas com 65 anos ou mais sofrem do problema. Entre a população até 34 anos, os números não passam de 14%. Dos 35 aos 44 anos, a taxa é de 20,9%. Dos 45 aos 54 anos, chega a 34,5%, e dos 55 aos 64 anos, totaliza 50,4%. 

O Rio de Janeiro é o Estado com maior número de casos registrados de hipertensão, com 28%, seguido por São Paulo, com 26,5%. A proporção de hipertensos é maior entre as mulheres – 27,2% contra 21,2% entre os homens. O grau de escolaridade também afeta o número de hipertensos. Entre os adultos com oito anos de escolaridade, por exemplo, o índice é de 31,5%, enquanto entre os com nove, dez ou 11 anos de estudo soma 16,8%. 

O estudo lançado nesta segunda, Dia Nacional de Combate à Hipertensão, tem como foco a prevenção da hipertensão por meio de escolhas individuais como hábitos alimentares saudáveis e o combate ao sedentarismo e à obesidade. A parceria inclui as sociedades brasileiras de Cardiologia, de Hipertensão e de Nefrologia. 

A pessoa é considerada hipertensa quando a pressão arterial é igual ou superior a 14 por 9. A doença é causada pelo aumento na contração das paredes das artérias para fazer o sangue circular pelo corpo. O movimento acaba sobrecarregando órgãos como o coração, os rins e o cérebro. Se não for tratada, a doença pode provocar complicações como o entupimento de artérias, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e enfartes.


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Alimentos são aliados do sistema imunológico para enfrentar o inverno


06/05/2010 12:40 

Especialistas afirmam que existem alimentos capazes de reforçar as defesas do corpo. Atividades físicas devem ser um complemento da boa alimentação no reforço do sistema imunológicoAgência Estado NA MESA
Os hortifrútis são os melhores aliados da boa saúde

Chá de alho é um ingrediente famoso contra as gripes entre as receitas populares. Será verdade? Sim, em períodos de mudanças bruscas de temperatura, situação típica do outono, existem alimentos capazes de reforçar as defesas do corpo, afirmam os especialistas. Essa missão cabe especialmente aos hortifrútis ricos em vitaminas dos tipos A ou E, assim como aos alimentos que contêm grandes quantidades de minerais, como zinco e selênio. 

“O nosso sistema imunológico tem a função de defender o organismo e deve ser visto como um órgão. Ele precisa de cuidados, e a alimentação saudável é um deles”, diz o especialista em gripe e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), João Toledo Neto. 

Segundo Toledo, uma alimentação deficiente pode deixar o corpo mais suscetível a doenças. “É a carência de nutrientes que enfraquece a defesa do organismo”, diz Toledo. “O sistema imunológico é desenvolvido já no feto. E o aspecto nutricional é importante desde quando se nasce”, completa. Para ele, fazer atividades físicas deve ser um complemento da boa alimentação no reforço do sistema imunológico. 

Para que os alimentos exerçam uma função protetora, os nutrientes devem ser ingeridos diariamente. “Comer um alimento funcional esporadicamente não trará nenhuma melhora à saúde”, alerta o nutrólogo Edson Credidio, doutor em Ciências de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

Para a nutricionista do Hospital das Clínicas da Unicamp, Salete Brito, a dica é apostar em uma alimentação balanceada. “O corpo é uma máquina e, para funcionar bem, precisa de todos os nutrientes. Não podemos esquecer dos carboidratos, proteínas, vitaminas, minerais e gordura, como a do ômega 3.” 

Se alguns alimentos atuam como reforços, outros podem ser vilões. “Frituras e embutidos potencializam a produção de radicais livres, o que pode aumentar a resposta inflamatória devido ao alto teor de gordura”, afirma a nutróloga Sandra Lúcia Fernandes, da Sociedade Brasileira de Nutrologia (Abran). 


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Alimentos anunciados na TV estimulam má alimentação

22 de junho de 2010



Seguindo um regime como este, o corpo humano estaria exposto mais rapidamente às carências de ferro, das vitaminas A, E e D, de fósforo e magnésio (Foto: Getty)

Um estudo publicado nos Estados Unidos nesta terça-feira diz que se um telespectador se alimentasse somente dos produtos anunciados na TV, ingeriria 25 vezes mais açúcar e 20 vezes mais gordura do que o recomendado.

O trabalho publicado no Journal of American Dietetic Association revela que a publicidade apresenta de forma insuficiente os produtos derivados do leite, frutas e legumes, representando em excesso alimentos associados a doenças crônicas (colesterol, sódio, proteínas, etc.).

De acordo com os cientistas, um regime composto somente de alimentos “vistos na TV” forneceria 25 vezes mais açúcar do que a recomendação diária e 20 vezes mais gordura, contra somente 40% dos valores sugeridos para a quantidade de legumes e 27% de frutas.

Seguindo um regime como este, o corpo humano estaria exposto mais rapidamente às carências de ferro, das vitaminas A, E e D, de fósforo e magnésio, precisou o estudo que relembrou a mensagem trazida pelo documentário “Supersize Me - A dieta do palhaço” onde Morgan Spurlock se alimenta exclusivamente de fast-food durante um mês.

O mais surpreendente, além dos resultados do estudo, é a presença majoritária desses alimentos em contraposição aos outros na mídia, observou Michael Mink, professor da Universidade Armstrong Atlantic na Geórgia e principal autor da pesquisa.

Sem regulamentação - Para fazer o estudo, os pesquisadores gravaram os principais canais de televisão americanos durante 96 horas, nos momentos de maior audiência, bem como nos sábados de manhã, a fim de avaliar as publicidades destinadas principalmente às crianças durante os períodos de difusão de desenhos animados.

Em nenhum momento, entre os 116 anúncios de serviço público observados, foi feita a menção a informações alimentares, palavra-chave para uma alimentação saudável, segundo o estudo.

“Acabamos abrindo um caminho fácil e barato para os alimentos não saudáveis”, lamentou Alexandra Evans, da Universidade de Austin, também autora do estudo.

Os cientistas apontam a falta de regulamentação nos Estados Unidos para os comerciais de comida, apesar de o Estado já ter tentado impor algumas regras há 10 anos.

“Essa abordagem falhou por causa da influência da indústria de alimentos e lobbies. Devemos aprender com os exemplos dos países europeus, que restringiram ou proibiram a publicidade de alguns alimentos pouco saudáveis e exigiram que o setor se autorregulasse”, declarou Mink.

Os inúmeros pesquisadores que participaram do estudo chamaram a atenção para um equilíbrio entre os poderes públicos e o mercado.

“Devemos criar um ambiente saudável, permitindo que as pessoas façam suas próprias escolhas alimentares”, defendeu Michael Mink, que propôs uma etiqueta para “alimentos extremos” ou ainda enviar uma cópia do relatório para Michelle Obama, primeira-dama dos Estados Unidos, que tenta convencer os cidadãos a se alimentarem melhor.


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Escutar iPod por uma hora pode comprometer a audição

22 de junho de 2010


 (Foto: Getty Images)

Cientistas acreditam que escutar música com fones de ouvido por apenas uma hora pode comprometer temporariamente a audição. Os especialistas afirmam que o hábito pode causar danos às células localizadas na área externa da orelha.

O estudo, publicado no periódico Archives of Otolaryngology: Head & Neck Surgery, foi baseado em uma experiência realizada com 21 voluntários e foi conduzido por especialistas da Universidade de Ghent, na Bélgica.

Os participantes da pesquisa escutaram música pop e rock por uma hora, em seis sessões, e usaram dois tipos de fones de ouvido ao longo da experiência. Ao final do teste, os voluntários, homens e mulheres entre 19 e 28 anos, passaram por exames auditivos.

Segundo a médica Hannah Kempler, que liderou a pesquisa, a exposição excessiva ao ruído pode causar alterações metabólicas e/ou efeitos mecânicos, resultando em alterações dos elementos estruturais do órgão de Conti, região onde estão as células sensoriais auditivas.

O estudo foi divulgado em um momento onde ocorre um crescimento significativo na popularidade dos fones de ouvido e dos tocadores de MP3. Pesquisas anteriores já chamaram a atenção para os efeitos negativos desses dispositivos móveis na audição.